Obras - Bronze

UM ESCULTOR A CAMINHO DO HUMANO

Diante da obra do artista Florian Raiss não se pode ficar indiferente à atmosfera que emana do seu discurso de instigantes provocações psicológicas. Tampouco não se deixar tocar pela incansável busca do artista em transparecer sentimentos e percalços da alma humana.

Para mim, que sou um devotado à procura da forma, vou percorrendo sua obra no que ela mais me seduz: o silêncio emanado por essas novas esculturas de cabeças. Silêncio que se impõem pelo lirismo e pela fantasia desse artista voltado para a expressão sentimental por esses clássicos perfis indecifráveis, delicados, lisos e concisos, de uma sutileza harmônica e de uma leve sensualidade. Essas cabeças femininas se unem e se afastam como formas contíguas, elásticas, abstratas e reducionistas em um irremediável desejo de cumplicidade, de dualidade, de repetição, de continuidade do ser único e da inevitável solidão humana.

Florian Raiss encontrou uma linguagem contemporânea ao executar uma escultura que se fundamenta nos princípios básicos da modelagem e na fundição em bronze sem se perder nos efeitos provocativos da escultura figurativa do começo do século vinte. Sabiamente desprendeu da modelagem os efeitos tentadores da gestualidade da matéria, para adotar uma feitura macia, transformando a matéria num amalgama de quem tem um prazer quase erótico, delicado, sutil e sensível, um prazer de quem acaricia pacientemente o barro e o transforma no domínio de suas formas lisas e tentadoras, cúmplices de seu desejo.

A escultura é, das linguagens plásticas, aquela que maior poder de sedução exerce sobre o espectador. Ela é em si um corpo no espaço, um corpo com espaços positivos e negativos em uma forma lúdica que convida ao toque e inquietante como um ser vivo em movimento. Raiss sabe se apropriar desses princípios para executar sua magnífica obra e nela imprime a expressão contemporânea propriamente dita fazendo-a livre de pequenos efeitos de luz provocados pelos gestos expressionistas da matéria, mas impregnando-a de um realismo mágico.

Mas sua obra já enveredou por outras contundentes provocações eróticas como seus quadrúpedes. Provocantes como expressão simbólica, animalescas sugestões do homem e dos seus desejos mais profundos e obscuros. E os seus desenhos? Quando aplicados em cerâmicas como escudos ou vasos gregos e helênicos ou nos rostos como registros de retratos 3x4 de um humor cortante.

O certo é que a obra de Florian Raiss é um diário aberto e provocativo no silêncio das interrogações de quem espia seu próprio universo com a dose de sarcasmo de quem vê o mundo com a perfídia "da desordem geral da impressão dos sentimentos" (Quatro Quartetos, T.S. Eliot).

Diante da obra do artista Florian Raiss não se pode ficar indiferente à atmosfera que emana do seu discurso de instigantes provocações psicológicas. Tampouco não se deixar tocar pela incansável busca do artista em transparecer sentimentos e percalços da alma humana.

Para mim, que sou um devotado à procura da forma, vou percorrendo sua obra no que ela mais me seduz: o silêncio emanado por essas novas esculturas de cabeças. Silêncio que se impõem pelo lirismo e pela fantasia desse artista voltado para a expressão sentimental por esses clássicos perfis indecifráveis, delicados, lisos e concisos, de uma sutileza harmônica e de uma leve sensualidade. Essas cabeças femininas se unem e se afastam como formas contíguas, elásticas, abstratas e reducionistas em um irremediável desejo de cumplicidade, de dualidade, de repetição, de continuidade do ser único e da inevitável solidão humana.

Florian Raiss encontrou uma linguagem contemporânea ao executar uma escultura que se fundamenta nos princípios básicos da modelagem e na fundição em bronze sem se perder nos efeitos provocativos da escultura figurativa do começo do século vinte. Sabiamente desprendeu da modelagem os efeitos tentadores da gestualidade da matéria, para adotar uma feitura macia, transformando a matéria num amalgama de quem tem um prazer quase erótico, delicado, sutil e sensível, um prazer de quem acaricia pacientemente o barro e o transforma no domínio de suas formas lisas e tentadoras, cúmplices de seu desejo.

A escultura é, das linguagens plásticas, aquela que maior poder de sedução exerce sobre o espectador. Ela é em si um corpo no espaço, um corpo com espaços positivos e negativos em uma forma lúdica que convida ao toque e inquietante como um ser vivo em movimento. Raiss sabe se apropriar desses princípios para executar sua magnífica obra e nela imprime a expressão contemporânea propriamente dita fazendo-a livre de pequenos efeitos de luz provocados pelos gestos expressionistas da matéria, mas impregnando-a de um realismo mágico.

Mas sua obra já enveredou por outras contundentes provocações eróticas como seus quadrúpedes. Provocantes como expressão simbólica, animalescas sugestões do homem e dos seus desejos mais profundos e obscuros. E os seus desenhos? Quando aplicados em cerâmicas como escudos ou vasos gregos e helênicos ou nos rostos como registros de retratos 3x4 de um humor cortante.

O certo é que a obra de Florian Raiss é um diário aberto e provocativo no silêncio das interrogações de quem espia seu próprio universo com a dose de sarcasmo de quem vê o mundo com a perfídia "da desordem geral da impressão dos sentimentos" (Quatro Quartetos, T.S. Eliot).


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